Depressão

Depressão: Sintomas, Causas e Como Tratar

Julho 2025·10 min de leitura·Dr. Júlio César Leal

A depressão é uma condição médica muito mais comum do que se imagina. Ela mexe com o jeito que você pensa, sente e vive.

A maioria das pessoas conhece os sintomas "clássicos" — tristeza constante, desânimo e falta de vontade. Mas a verdade é que os sintomas da depressão vão muito além disso. Alguns são tão sutis que passam despercebidos; outros são confundidos com problemas físicos.

No meu consultório, já escutei pacientes dizerem: "Eu não estava triste. Eu estava vazio." Ou: "Achei que fosse preguiça, mas era meu corpo pedindo socorro." Toda história é única, mas há formas comuns que ajudam a identificar o problema. E, acima de tudo, existe tratamento.

Quais são os sintomas da depressão?

A depressão se manifesta em três frentes: na mente, no corpo e na cognição. Reconhecer esse conjunto é o que permite diferenciá-la de um período passageiro de tristeza.

Na mente: pensamentos negativos constantes, sensação de ser um peso para os outros, culpa e autocrítica intensa, mesmo diante de esforço real.

No corpo: cansaço constante mesmo sem esforço, dores de cabeça ou musculares sem causa aparente, alterações no sono (insônia ou sono excessivo), mudanças no apetite e problemas gastrointestinais sem causa clara. Como me disse uma paciente: "Eu achava que era problema na coluna, mas era a tristeza pesando no corpo."

Na cognição: dificuldade de concentração, memória fraca e pensamento lento ou confuso — quando a mente, literalmente, trava.

O que causa a depressão?

A depressão raramente tem uma causa única. Entre os fatores mais relevantes estão:

Fatores genéticos: a depressão pode "correr na família". Não significa que, se um familiar teve, você terá — mas o risco é maior, ligado a como o cérebro regula emoções e estresse.

Fatores psíquicos: na minha experiência clínica, são os de maior impacto. Traumas na infância, estresse crônico, perdas afetivas, frustrações importantes e a falta de sentido na vida.

Fatores hormonais: hormônios regulam sono, humor, energia e libido. Hipotireoidismo, TPM intensa, menopausa, pós-parto e queda de testosterona podem desencadear ou agravar o quadro.

Fatores farmacológicos: alguns medicamentos e substâncias afetam o humor, como benzodiazepínicos, corticoides, anticoncepcionais e o uso de álcool ou outras drogas.

Como é feito o diagnóstico?

A depressão maior é um diagnóstico médico, baseado em critérios bem definidos — não apenas uma palavra no papel. Utilizamos diretrizes como o DSM-5 e o CID-11, que estabelecem que os sintomas precisam durar pelo menos duas semanas e causar prejuízo no dia a dia.

É importante diferenciar tristeza de depressão. Todo mundo fica triste de vez em quando, e isso é normal. O problema é quando a tristeza vira um estado constante, somado a cansaço, falta de prazer, dificuldade de pensar e alterações de sono e apetite. Uma paciente certa vez me disse: "Eu ria nas fotos, mas por dentro me sentia afundando."

Muitas vezes pedimos exames — não para "provar" a depressão, mas para excluir outras causas, como hipotireoidismo, anemia ou deficiência de vitamina B12, e avaliar se os sintomas se ligam a outras condições, como ansiedade, transtorno bipolar ou TDAH.

Existem diferentes tipos de depressão?

Sim, e alguns quadros podem parecer depressão sem o ser. A depressão maior é a forma mais comum. A distimia é uma "depressão de fundo", mais leve, porém persistente por anos. O transtorno bipolar também inclui fases depressivas, mas alterna com episódios de euforia (mania ou hipomania) — e dar antidepressivo sem estabilizador, nesses casos, pode piorar o quadro.

Há ainda o transtorno de ajustamento com humor depressivo, ligado a um evento recente e proporcional a ele, e a depressão secundária a doenças (como hipotireoidismo e Parkinson) ou a substâncias. Por isso a avaliação cuidadosa é essencial: o tratamento certo depende do diagnóstico certo.

Qual é o tratamento da depressão?

Medicamentos: em casos moderados ou graves, antidepressivos são fundamentais e atuam regulando neurotransmissores como serotonina e noradrenalina; em alguns casos, somam-se antipsicóticos ou estabilizadores de humor. Eles não viciam nem mudam a personalidade — ajudam a pessoa a voltar ao seu estado natural. Levam de 2 a 6 semanas para fazer efeito e exigem acompanhamento médico constante.

Psicoterapia: o espaço seguro para falar, se escutar e entender melhor a si mesmo. Ajuda a compreender sentimentos, mudar padrões de pensamento e encontrar caminhos. As principais abordagens são a terapia cognitivo-comportamental, a interpessoal e a psicodinâmica/psicanálise.

Estilo de vida: mudanças simples têm impacto grande. Exercícios físicos leves, sono regular, alimentação constante, redução de álcool, momentos de lazer e exposição diária à luz do sol. Uma paciente me contou que, ao voltar a caminhar 20 minutos por dia, sentiu que estava retomando o controle da própria vida.

Novos tratamentos: em casos graves ou refratários, há intervenções com eficácia científica, como a estimulação magnética transcraniana (EMT), a eletroconvulsoterapia (ECT) e o uso controlado de cetamina.

E se o tratamento não estiver funcionando?

Nem sempre o primeiro plano dá certo, e às vezes é preciso ajustar. O diagnóstico pode estar incompleto, pode haver comorbidades (ansiedade, TDAH, transtorno bipolar), pode ser necessário trocar ou combinar tratamentos, ou o paciente pode estar sem rede de apoio. O mais importante é não desistir: a depressão tem tratamento, mesmo nos casos difíceis.

Quando procurar ajuda

Se você se identificou com vários desses sintomas, principalmente se eles duram mais de duas semanas e atrapalham sua vida, é hora de buscar ajuda profissional. Não espere chegar ao limite.

Buscar ajuda não é sinal de fraqueza — é o primeiro passo para recuperar a saúde mental, a autoestima e a qualidade de vida. Entender os sintomas, identificar os sinais precoces e iniciar um tratamento adequado faz toda a diferença. E, mesmo que você nunca tenha feito tratamento antes, nunca é tarde para começar.

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O conteúdo deste artigo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, agende uma consulta com avaliação aprofundada.